Resumo
Em virtude de uma cultura patriarcal, mulheres apresentam menos candidaturas às casas legislativas e são menos competitivas eleitoralmente em comparação aos homens no Brasil. Este cenário possui relações com aspectos político-sociais históricos e do sistema eleitoral e partidário. O objetivo deste artigo é analisar a subrepresentação feminina nas câmaras de vereadores da Bahia, articulando gênero, raça, escolaridade, estado civil e ideologia partidária. A partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (2020 e 2024), demonstramos que, embora as mulheres constituam 51,7% da população baiana, representaram aproximadamente 35% das candidaturas e 15% das pessoas eleitas, mesmo após a implementação de cotas de gênero e financiamento. A interseccionalidade com raça demonstrou um quadro de desigualdade ainda mais acentuada, com mulheres negras sendo subrepresentadas mesmo dentro do grupo feminino. Além disso, destacamos que: as candidatas têm maior grau de escolarização do que os homens; as solteiras se sobressaem entre as candidatas e as casadas/viúvas entre as eleitas; e a subrepresentação perpassa partidos de todo o espectro ideológico. Portanto, as medidas institucionais têm sido insuficientes para reduzir a desigualdade de gênero na política, demonstrando a urgência de se estabelecer ações mais efetivas no sentido de reconfiguração deste quadro.

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